Três Estratégias Essenciais para Lidar com a Indisciplina na Escola

Quando nos deparamos com a indisciplina na escola com um enfoque tradicional, nossa postura tende a ser a punitiva: castigo, reuniões com pais, alunos fora de sala, etc. Mas qual o efeito dessas medidas no comportamento dos alunos. Isso realmente transforma suas atitudes na sala de aula?

 

Diversos autores e pesquisadores da educação, tanto nacionais quanto internacionais, já nos apontam há algumas décadas que essa estratégia não transforma a atitude do aluno e não o leva a reflexão sobre seus atos, sendo, portanto, um fim em si mesma. Paulo Freire, Aquino Groppa, Celso Vasconcelos são alguns desses pensadores da educação que estudam as relações entre professor aluno na sala de aula e que defendem uma mudança de postura do professor e da escola frente a indisciplina que impactam positivamente no comportamento dos alunos. 

“Um primeiro passo para reverter essa ordem de coisas talvez seja repensar nossos posicionamentos, rever algumas supostas verdades que, em vez de nos auxiliar, acabam sendo armadilhas que apenas justificam o fracasso escolar, mas não conseguem alterar os rumos e os efeitos do nosso trabalho cotidiano.

  Vejamos o caso específico da indisciplina. Na própria maneira de entender o fenômeno disciplinar, podemos observar que as hipóteses explicativas empregadas usualmente acabam reiterando alguns preconceitos, muitos falsos conceitos e outras tantas justificativas para o fracasso e a exclusão escolar. Encontram-se razões à profusão, mas alternativas concretas de administração, como sabemos, são raras. Nossa tarefa, então, a partir de agora passa a ser a de examinar concretamente os argumentos que sustentam tais hipóteses.”

(Júlio Groppa Aquino)

Essa ação mais eficaz, apesar de apresentar um resultado a longo prazo, é o trabalho de conscientização dos alunos e o auxílio na transformação de suas ações por meio da autonomia e da autorregulação. Levar o aluno a compreender a escola, o professor, a sala de aula e os colegas como parte de um todo formador de valores que são verdadeiramente significativos para ele, podem contribuir para que a escola se torne um ambiente de trocas, convívios, esperanças, aprendizado, cooperação, conflitos e soluções e não de violência, gritos e punições.

 

Como você já deve saber, o modelo de escola pautado na punição foi estruturado a partir do modelo das fábricas e dos exércitos e por isso se pauta na desvalorização, segregação ou até exclusão daqueles que não se adequam ou se enquadram no padrão. Assim, o aluno quieto, ordeiro e ouvinte é visto como bom aluno ao passo que qualquer comportamento que se distancie deste é malvisto e rejeitado.

  O trabalho a ser desenvolvido na sala de aula para combater indisciplina ou mal comportamento é a construção da autonomia e da auto-regulação do aluno. Para isso, é fundamental a construção de um ambiente cooperativo, horizontal e dialogal. Onde os interesses, necessidades e desejos de todos sejam respeitados, certo?

 

  Então, vejamos agora, algumas diretrizes para lidar com alunos difíceis:

 

1 – Comunique Aceitação, Aprovação e Fé na Criança

 

A criança difícil sente, assim como todos os alunos, necessidade de aceitação, tanto pelo grupo quanto pelo professor. É preciso reverter situações de rejeição. A criança difícil deve ver-se como parte do grupo, assim como todos os outros. É dever do professor comunicar respeito aprovação e fé na criança, reconhecendo seus pensamentos, sentimentos e comportamentos.

 

2 –  Compreenda o Sistema Interno de Crenças da Criança que Dirige o Mau Comportamento

 

A partir do momento em que o professor assumiu o compromisso de ter fá na individualidade da criança, ele deve assumir a tarefa de compreender as crenças implícitas que levaram a criança ao mau comportamento. Para isso, é importante compreender a imagem que a criança tem de si mesma, dos colegas e dos adultos que a rodeiam; observar as reações e respostas emocionais dadas ao comportamento da criança; Conversar e entrevistar a criança difícil a fim de entender melhor seu sistema de crenças que a levam ao mau comportamento. 

 

3 – Desafie e Confronte o Sistema de Crenças Implícitas da Criança

É fundamental que a criança seja confrontada quanto às suas crenças e comportamentos, ela deve ser levada a pensar sobre a perspectiva do outro; a perceber reações e sentimentos alheios; a entender as consequências naturais ou lógicas dos maus comportamentos e a construir sentimento de justiça e cuidado pelos outros.

 

Quer saber mais? Leia:

DEVRIES, Rheta e ZAN, Betty. A ética na Educação Infantil: o ambiente sócio-moral na escola. Tradução: Dayse Martins. Porto Alegra: Artes médicas, 1998.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 24 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2000.

______. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à pratica pedagógica. 8 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1996.

______. Pedagogia do oprimido. 14 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1983.

______. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1992

GODINHO, Eunice Maria. Educação e Disciplina. Rio de Janeiro: Diadorim/ Editora UFJF. 1995.

SILVA, Ana Beatriz Silva Barbosa. Bullying: mentes perigosas na escola. Rio de Janeiro: Fontanar. 2010.

SOUZA, Liliane Pereira de. A violência simbólica na escola: contribuições de sociólogos franceses ao fenômeno da violência escolar brasileira.  Revista Labor nº7, v.1, 2012. Disponível em: <http://www.revistalabor.ufc.br/Artigo/volume7/2_A_violencia_simbolica_na_escola_-_Liliane_Pereira.pdf> Acesso em: agosto de 2013.

UNICEF BRASIL. Violência nas escolas: O bê-á-bá da intolerância e da discriminação. S/d. 26 p. Disponível em: < http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_02.pdf> Acesso em agosto de 2013.

VASCONCELLOS, Celso dos S. Os Desafios da Indisciplina em Sala de Aula e na Escola. 1996. P.227-252. Disponível em: < http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_28_p227-252_c.pdf> Acesso em: agosto de 2013.

_______. Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula e na escola. 7.ed. São Paulo: Liberdade, 1996.

 

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