Em Tempos de Pandemia…

Em tempos de Pandemia, tudo que é sólido, parece se desmanchar no ar.

 

Muitas áreas, ou quase todas as áreas profissionais, no mundo foram afetadas pela pandemia da Covid-19. Até o final de junho de 2019, quase 5 milhões de brasileiros já haviam perdiam seus empregos e a tendência é que esses números fiquem ainda maiores. Com os professores a realidade não é muito diferente. Temos de um lado professores adaptando-se à nova realidade e produzindo aulas virtuais ou on-line, temos professores afastados do trabalho, mas sendo remunerados e temos aqueles que perderam seus empregos.

As escolas particulares, para que não deixassem de perder os pagamentos das mensalidades de seus alunos, tão logo perceberam que a pandemia duraria mais apenas alguns dias, trataram de se organizar em aulas remotas oferecidas virtualmente. Algumas redes estaduais seguiram pelo mesmo caminho, e em meados de maio começaram também a oferecer aulas virtuais aos alunos. Já a maior partes das prefeituras, ainda aguarda uma orientação mais diretiva do MEC para traçar suas estratégias.

Devemos lembrar que os municípios são responsáveis pela oferta da Educação Infantil e pelas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. As crianças pequenas não devem, por questões obvias relacionadas aos seus aspectos desenvolvimentistas, serem expostas às demandas de frente a um computador. Assim, oferecer esse tipo de educação representa um retrocesso para as conquistas de educadores brasileiros que tanto lutaram para que as escolas, para crianças menores, oferecessem mais que apenas conteúdo e uma relação vertical onde o professor ensina e o aluno aprende.

Nesse sentido, as crianças, ao se submeterem às aulas virtuais estariam mais perdendo que ganhando. Sobretudo a educação infantil, que possui características tão peculiares aos outros níveis de ensino, perde em qualidade, perde nas interações, perde nas relações que se estabelecem no ambiente escolar, perdem por estarem sendo ensinadas e não por estarem construindo conhecimento acerca do mundo.

Mas, como tornar possível que professores de educação infantil continuem trabalhando?

Essa é uma pergunta recorrente em grupos de professores e as respostas são muitas e algumas apontam para uma possível solução: as oficinas literárias. É sabido que a literatura infantil é fundamental para o desenvolvimento linguístico, social, afetivo e psicológico das crianças pequenas. Bruno Bettelheim, seu livro a Psicanálise dos Contos de Fadas, nos aponta que “Enquanto diverte a criança, o conto de fadas a esclarece sobre si mesma, e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão à vida da criança.” (Bruno Bettelheim). Assim, também a literatura infantil que valida sentimentos emoções e leva a criança a se identificar com os personagens podem a auxiliar a ressignificar a sua existência e se transpor para uma nova realidade.

O que são oficinas literárias?

 

Diferente das aulas, as oficinas literárias tem coo objetivo primordial trazer o prazer e o apreço pela literatura. Ensina pelo amor e não pela relação autoritária. Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música.

As oficinas literárias são um momento de prazer e que pode ser transformado em muitas coisas como atividade de arte, brincadeira, atividade física, faz-de-conta, etc. O que os professores de educação infantil poderiam fazer nesse momento seria contar as história e enviara para os pais diversas sugestões de brincadeiras e produções a serem feitas com a criança em família, para que a família, em interação com a criança, olho no olho, conflitos, desejos, etc, pudesse desenvolver.

 

Assim, afetividade, linguagem, socialização, troca, vivência e descobertas estariam acontecendo verdadeiramente.

Sabemos que a situação não é para brincadeira. Sabemos também e entretanto, que precisamos garantir a saúde mental, física e afetiva de nossas crianças pequenas. O conteúdo na educação infantil, é coadjuvante e a criança aprende enquanto brinca e interage. Será que diante da tela, ouvindo o professor “ensinar-lhe” algo, ela está aprendendo?

Para que você compreender melhor o que queremos dizer, quando falamos em oficinas literárias para as crianças de educação infantil em isolamento social, abaixo, segue em modelo para você.

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